A História é sempre a História do Presente.

{ESTE TEXTO FOI UTILIZADO NA AULA DEMONSTRATIVA DO DIA 23-01-2025}

A história é sempre a história do presente. É comum ouvir: “ quero saber a verdadeira história” ou “tal historiador é tendencioso” ou “tal interpretação é da corrente ideológica X”. Mesmo descontando as falsificações grosseiras e mal-intencionadas ou historiadores amadores, a história sempre fala muito mais do tempo presente do que da época que se pretende retratar. Vamos a um exemplo da história brasileira muito interessante: nos livros mais antigos os bandeirantes são retratados como homens imponentes, grandes desbravadores e aventureiros, sempre vestidos bem. Você sabe quando essa história foi escrita? Dessa forma? São Paulo nem sempre foi o estado mais rico do Brasil e o centro econômico do Brasil colônia foi durante muito tempo o nordeste da cana de açúcar. Na época do Nordeste açucareiro os bandeirantes eram retratados como bandidos ou bandoleiros (daí o nome bandeirantes), os portugueses tinham pouco apresso por esses homens que desobedeciam a proibição de escravizar os indígenas e não contribuíam com o comercio de escravos africanos. Quando São Paulo foi se tornando o centro cafeeiro e depois centro industrial, os bandeirantes foram recriados para encaixar na epopeia paulista. Os bandeirantes eram parte central do mito fundador de São Paulo, o nome (bandeirantes) seria uma referência às bandeiras, elemento essencial para a expansão do Brasil e da construção do corpo da pátria para muito além dos limites do Tratados de Tordesilhas.

        É comum ouvir: “a história é a história dos vencedores”, é meio clichê essa afirmação e apesar de verdadeira ela é incompleta. A história é usada para justificar, de forma consciente ou não as nossas escolhas atuais. Adam Smith, conhecido como o pai do liberalismo econômico, escreveu o famoso e importantíssimo livro: A riqueza das Nações em 1776 e morreu em 1790 e apesar da grande referência, o Reino Unido, até o ano de 1846 (ano da revogação das chamadas Corn Laws (lei dos cereais), permaneceu como um estado protecionista e somente a partir desse momento passou a defender (com canhoneiras de sua poderosa marinha, caso fosse necessário) o livre comercio. No entanto, entusiastas do liberalismo passaram a defender que a riqueza inglesa viria de uma receita liberal que poderia ser replicada sem problemas em qualquer país.

      Muitos de nós fomos “ensinados” na escola, isso uma verdadeira falsificação, que a Inglaterra manipulou o Brasil para atacar o Paraguai (um pretenso “paraíso” alfabetizado e industrial, nada mais falso) do ditador Solano Lopes, o Brasil estava com as relações diplomáticas rompidas com o Reino Unido no momento da eclosão da guerra (questão christie). Felizmente hoje historiadores competentes como Francisco Doratioto tem trabalhado para analisar as causas complexas e regionais dessa “Maldita Guerra”. Mas o que levou historiadores marxistas na década de 70 inventar essa versão, provavelmente a necessidade de replicar os acontecimentos da “guerra fria” para um século antes.

        Poderia citar uma miríade de outros exemplos, mas receio cansar demasiado o leitor. Em suma, o argumento é: quando falamos do passado, na verdade estamos falando do presente e de nossas crenças atuais.

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